Faz um ano que estou aqui. Um ano que deixei muitas coisas para abraçar outras. Um ano que este país me recebeu e me mostrou novos desafios, novos hábitos, novas amizades, novas maravilhas. Por aqui eu também passei por poucas e boas: situações de estresse, alegria, diversão e tantos outros sentimentos.
Não deixei de ser feliz por deixar minha pátria amada, nem passei a ser feliz somente aqui. No meio de tudo isso, a maior lição: a nossa felicidade está dentro de cada um de nós. A Itália é um país espetacular. Mas países são como pessoas, não dá para ficar comparando quem é melhor por isso ou por aquilo. Cada um com seus defeitos e suas virtudes.
Tentarei escrever durante o mês alguns fatos ocorridos desde que cheguei. A princípio, estou postando alguns trechos dos primeiros emails que escrevi ao chegar nas terras macarrônicas.
"O vôo para Lisboa foi lotado. Não gostei muito porque, além do atraso (uns 40 min ou mais), o piloto parecia um motorista de kombi que tirou a carteira na Paraíba... na hora da aterrissagem do avião, foi perdendo altitude bruscamente, ao invés de ter começado a descer mais lentamente. Resultado: vomitei duas vezes quando o avião estava perdendo altitude (chegamos aos mais de 11.000 km de altitude). Mesmo assim, o vôo foi engraçadíssimo. Sentei ao lado de um espanhol de Barcelona que mora em João Pessoa há um mês e estava levando em sua bagagem de mão simplesmente o seguinte: jaca, graviola, cajá, cajú, etc!"
"Acordei às 10:30h, muito renovada, ainda bem. Hugo e Alicia haviam convidado os brasileiros com quem temos contato para almoçar (chamam-se Luiz e Luciana). Eles estão me tratando muito bem e são muito engraçados. Almoçamos lasanha, um bolinho de arroz com carne moída e funghi dentro, torta de chocolate, strudel (não sei como se escreve, mas é uma torta de maçã de origem alemã), e um doce de abóbora com um negócio mexicano que também não sei o nome. Almoçamos com vinho, mas Alicia serviu tequila em seguida, dizendo que era bom para digestão e também tomei café. Foi muito divertido mesmo. A mãe e a filha de Alicia também são muito simpáticas. A mãe é mais calada, só fala mesmo espanhol. A filha está craque no italiano e é super ativa, expressiva e carinhosa."
"Praticamente passei o dia fazendo limpeza no apartamento da residencia universitaria. Está podre de sujo. Eram homens que moravam lá antes, e não eram muito adeptos à faxinas... "
"Quando cheguei no apartamento respirei fundo e fui começar a limpeza. Limpei a geladeira que estava nojenta e depois fui dar uma geral no quarto... "
"Tem um supermercado pequeno perto do alojamento, mas o horário de funcionamento (como tudo em Trento) é muito particular. Abre das 9 às 12 e depois das 16 às 19. Só arrumo lugares geograficamente diferentes para morar: várzea, montanhas, etc..."
"Voltei andando por algumas praças, e foi bem legal! Em uma delas havia um grupo de turistas com um guia, em outra praça, tinha um cara tocando violino, em outra, um tocando “Oh Suzana, não chores por mim” com um acordeon... achei muito bonito ouvir a música no meio da rua. Como as ruas são estreitas, você não sabe de onde o som está vindo realmente... e isso torna o passeio legal. Depois, almocei pela rua mesmo. Voltei saltitante para casa de Alicia. Acho que estava tão aliviada que nem senti que voltei o caminho inteiro andando, do centro para casa dela: 30 min aproximadamente. Por sinal, fazia tempo que eu não andava tanto... "
"Almocei no restaurante da universidade, a comida é mais barata para os estudantes que tem uma carteirinha específica (que eu já tenho). Um almoço completo sai por 4 euros (exceto suco, vc pode beber água se quiser). A divisão deles é totalmente diferente da nossa, mesmo no restaurante universitário. Nada de pratos de pedreiro, onde misturamos tudo e está ótimo!!! Existe toda uma seqüência fresca para comer.... "
Um comentário:
Legal ver o teu ponto de vista sobre a Itália. Em geral é otimista como o meu. Vomitou no avião é? Eca! ;)
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